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Após votar, Bolsonaro dispensa delegado da PF, chefe da segurança na campanha

28/10/2018

RIO - Após votar neste domingo, o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, dispensou o delegado da Polícia Federal Antonio Marcos Teixeira do comando da equipe que faz a sua segurança pessoal. O candidato teria ficado contrariado com Teixeira pelo modo como repreendeu os policiais que permitiram que ele colocasse parte do corpo para fora do carro da PF e acenasse aos eleitores que o esperavam na chegada de seu condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

A saudação ao público já havia sido feita na Vila Militar, após a votação. Ao ver a cena se repetindo, o delegado teria gritado com os policiais, diante do público que acompanhava a chegada de Bolsonaro.
 
Diante da advertência do delegado aos seus subordinados, Bolsonaro argumentou que a decisão de acenar ao público teria sido dele e, portanto, a culpa não seria da equipe. O delegado, então, teria retrucado que ele era o chefe a quem os policiais deveriam ouvir. Atualmente, a equipe de Bolsonaro tem 35 policiais federais.

Um integrante da Polícia Federal confirmou, sob condição de anonimato, que houve o desentendimento entre Bolsonaro e o delegado, mas atribuiu o caso ao elevado nível de estresse da equipe. A tensão entre os policiais teria aumentado desde a última quinta-feira, quando o PSL pediu reforço na segurança, alegando a ameaça de uma "nova empreitada" contra o presidenciável neste domingo.

No ofício à delegada Silvana Helena Vieira Borges, diretora-executiva da Polícia Federal, o partido alegou que um novo atentado estaria sendo articulado por uma organização criminosa. Apesar disso, o documento não apresentou nenhuma evidência que comprovasse a denúncia. Foi a partir desse pedido, no entanto, que a equipe de policiais foi elevada de 21 para 35 pessoas.

Segundo um policial, os desentendimentos entre candidatos e as equipes de seguranças são frequentes, principalmente pela quebra de protocolos por parte dos políticos. Na visão dele, o aceno de Bolsonaro aos eleitores o deixaram exposto e sem possibilidade de atuação dos policiais.

Procurada pela reportagem, a Polícia Federal informou que não vai se manifestar sobre o episódio.

Teixeira é o segundo delegado da PF a ser desligado da campanha do capitão da reserva do Exército. Ele assumiu a segurança de Bolsonaro após o atentado em Juiz de Fora (MG), no início de setembro. Teixeira substituiu o delegado Daniel França, então coordenador da operação. Na época, a Associação dos Delegados da Polícia Federal informou que o afastamento de França foi "estratégico" e não teria relação com o ataque a faca cometido por Adélio Bispo de Oliveira.

por Jussara Soares, clique aqui.