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FEDERAÇÃO DA PF INVESTE PARA AMPLIAR BANCADA PRÓ-LAVA JATO

25/06/2018

BRASÍLIA - A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) patrocina, desde o ano passado, uma série de atividades para preparar os pré-candidatos ligados à instituição para a campanha eleitoral – como equipe de marketing, evento de lançamento de candidaturas e até treinamento para se relacionar com a imprensa. O objetivo da associação é aumentar a bancada pró-Lava Jato no Congresso.

Em 22 de maio, um grande evento foi realizado em Brasília para lançar a “frente da Lava Jato”, formada por cerca de 30 agentes da Polícia Federal que disputarão a eleição. A cerimônia ocorreu na sede da Associação dos Magistrados do Distrito Federal, com direito a coquetel que incluía champanhe, cerveja, camarão empanado e queijo coalho com melaço.

Antes do lançamento oficial, um trabalho nos bastidores foi realizado. Pelo menos desde novembro do ano passado, os policiais-candidatos vêm recebendo orientação de uma empresa especializada em marketing político, formada por publicitários que já atuaram em campanhas no Brasil e no exterior. A Fenapef também contratou pesquisas para conhecer melhor o perfil do eleitor e traçar estratégias. Constatou, por exemplo, que somente 30% dos brasileiros são favoráveis ao porte de arma e aconselhou os pré-candidatos a evitar fotos ostentando pistolas e revólveres.
 
Segundo o presidente da Fenapef, Luís Antônio de Araújo Boudens, a ideia de formar uma frente dos agentes da Polícia Federal para disputar as eleições se consolidou em 2016, depois da disputa municipal. A corporação elegeu 24 nomes, entre prefeitos e vereadores. Agora, pretende repetir o sucesso e aumentar a bancada dos agentes da PF no Congresso, que hoje possui dois deputados.
 
Legislação. Segundo especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo Estado, não há definição na legislação eleitoral sobre o que uma entidade pode ou não fazer por seus associados durante a pré-campanha. Pessoas jurídicas não podem financiar candidatos, mas não há impedimento legal para que uma associação prepare ou dê treinamento para seus integrantes.
 
Mesmo assim, há dúvidas se a atuação da Fenapef não extrapolou essa possibilidade. “É claro que uma associação, às vésperas das eleições, preparando seus integrantes para a campanha, pode estar numa linha tênue entre o que é financiamento e o que não é”, afirmou Diego Rais, professor de direito eleitoral do Mackenzie.
 
Em nota, a Fenapef confirmou que investiu na “prestação de serviços de comunicação e marketing, como produção de peças digitais, realização de pesquisa, bem como análise e criação de estratégias de comunicação” aos pré-candidatos para que “o projeto de renovação política chegue ao conhecimento da sociedade”. 

Questionada sobre valores gastos nas atividades, a federação não falou em cifras e disse apenas que “seus gastos ficam sujeitos à análise do conselho fiscal da Fenapef, composto por policiais federais e seus filiados”. A entidade também afirmou que, conforme determina a legislação, não atuará durante o período eleitoral.

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo
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