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Investigação da PF em corrupção faz apreensões de armas caírem 59%

26/10/2017

Nos últimos cinco anos, as apreensões de armas feitas pela Polícia Federal nas fronteiras brasileiras tiveram queda de 59,3%, caindo de 15.395 apreensões em 2012 para 6.270 em 2016. Os dados foram obtidos pelo R7 via Lei de Acesso à Informação e, de acordo com especialistas, eles mostram que o avanço de operações de investigação de crimes de “colarinho branco” como a Lava Jato tiraram o foco da PF na atuação contra o tráfico de armas.
Segundo a coordenadora de projetos do Instituto Sou da Paz, Natália Pollachi, os números mostram que os recursos do governo federal tiveram um redirecionamento dentro da PF para atender as diversas investigações sobre corrupção.
— É um dado bem preocupante porque ele parece estar relacionado com a falta de prioridade. A área dedicada ao controle de armas e apreensão de armas dentro da Polícia Federal já era carente de investimentos. É bem a metáfora do cobertor curto. Você puxa de um lado e deixa o outro descoberto.
A análise também é feita pelo presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal, Flávio Werneck, que cita as investigações dos crimes de “colarinho branco” de políticos como uma das principais causas da queda de apreensões de armas.
— De 2012 para cá, é evidente que houve um grande investimento da Polícia Federal em busca de crimes financeiros de colarinho branco. Houve um desvio da atenção do efetivo de policiais, que já é baixo, para fazer esse tipo de investigação.
Conforme explica Werneck, a PF tem entre 1.000 e 1.500 agentes disponíveis somente para fiscalizar fronteiras secas. Já nos CEPOMs (Centros de Polícia Marítima), os policiais somam cerca de 150, o que torna insuficiente a fiscalização tanto em rodovias, rios e aeroportos como em toda a costa brasileira.
— Basta fazer o comparativo, por exemplo, com os Estados Unidos. A gente vê que nosso efetivo, em algumas situações, não chega nem a 10% da deles. Só o efetivo de fronteira deles com o México e o Canadá é de 30 mil homens.
Em junho deste ano, a Polícia Civil do Rio Janeiro fez a apreensão de 60 fuzis no terminal de cargas do Aeroporto Internacional do Galeão. De acordo com as investigações, os armamentos foram encontrados escondidos em contêineres em meio a uma carga de aquecedores para piscinas e vinham de Miami, nos Estados Unidos.
Para a coordenadora do Instituto Sou da Paz, embora esse caso no Rio de Janeiro tenha tido sucesso, ela afirma que trabalhos conjuntos entre duas ou mais instituições governamentais raramente são operações que acabam com resultados satisfatórios.
— Esse caso do aeroporto teve até um envolvimento grande da Polícia Civil e era uma questão que envolvia fortemente a Receita Federal porque essas importações passam por ela. Existem casos muito pontuais bem sucedidos, mas que no geral falta sim cooperação. Parece ser mesmo uma questão de falta de investimento e prioridades.
Segundo Pollachi, outro fator que reforça essa questão é de que as apreensões da Polícia Rodoviária Federal, ao contrário das feitas pela Polícia Federal, estão crescendo.
— Isso mostra que se tiver uma alocação adequada de investimento, tem um grande potencial para aumentar essas apreensões. O combate à corrupção é importante,  mas o fato de que há um grande contingenciamento de recursos fez com que esse crescimento de um departamento implique na redução das atividades de outras áreas.
Em 2012, a Polícia Federal fez 456 apreensões de armas no estado, enquanto nos últimos anos esse número só despencou, passando para 227 em 2013, 177 em 2014 e 165 em 2015. O índice mais baixo dos últimos cinco foi registrado no ano passado, quando houve apenas 91 apreensões.
Negócio das armas
Em mais um exemplo do mercado de armas que agita as ruas das metrópoles brasileiras, na segunda-feira (23), quando investigava uma quadrilha espelializada em assaltos, o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) encontrou um enorme arsenal na zona leste de São Paulo. Na ocasião, foram apreendidos quatro metralhadoras, nove pistolas, cinco revólveres, um simulacro de fuzil e três adaptadores Roni, que transformam pistolas em metralhadoras.
De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades envolvidas no caso, o arsenal encontrado seria “emprestado” para diferentes tipos de operações criminosas. Também conforme divulgado, o dono do armamento é José Luis Cardoso de Almeida, conhecido como Biliu, de 35 anos. “Ele está encarcerado no presídio federal de Catanduvas, em Santa Catarina, por participar do maior ataque a uma empresa de transporte de valores no Paraguai”, diz a nota do Deic.
As armas apreendidas estavam com munição, ou seja, prontas para a ação.
Fonte: Portal R7