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Policias federais e políticos criticam troca do ministro da Justiça

31/05/2017

   A troca do ministro da Justiça foi criticada por policiais federais e políticos que temem uma manobra para controlar a Operação Lava Jato. Uma das principais dúvidas é se o novo ministro, Torquato Jardim, vai substituir o atual diretor-geral da Polícia Federal, como querem vários conselheiros do presidente Michel Temer.
Leandro Daiello dirige a Polícia Federal desde 2011, ainda no governo Dilma. Peça-chave na Operação Lava Jato, o Planalto não nega que tenha recebido a pressão de vários setores por um controle da Polícia Federal. Aécio Neves, por exemplo, foi flagrado em conversas gravadas pelo dono da JBS pedindo a saída dele da direção da Polícia Federal. A troca de comando na       Justiça, no momento em que o presidente responde a inquérito por causa da JBS, levanta a dúvida.
“Tem uma ameaça. Os discursos do novo ministro passam uma temeridade para todo Brasil de que vão tentar colocar um cabresto na Polícia Federal. Não tô dizendo que vão, mas passa essa ideia”, disse o Cristóvam Buarque (PPS-DF).
  O vice-líder do partido de Temer na Câmara nega qualquer manobra para atingir a Lava Jato.“O presidente não quer travar a Lava Jato. Por sinal, ninguém quer travar a Lava Jato. A Lava Jato faz parte da nossa história, ela já prestou e tem condições de prestar grandes serviços ao país, obviamente o que se busca é legalidade. E o ministro Torquato tem as condições de prestigiar a Lava Jato sem que a legalidade seja ofendida”, disse o deputado Carlos Marun (PMDB-MS). Até entre aliados, a possibilidade de mudança no comando da PF é mal vista. Não vejo nenhuma razão de fazer uma substituição neste momento. Também aí eu invoco a crise para não se fazer substituição, já que o diretor da Polícia Federal está se havendo muito bem no cargo que ocupa. E acho que tem o apoio dentro da Polícia Federal”, afirma o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM). Uma “temeridade”, segundo a senadora Ana Amélia (PP-RS). “Será um tiro no pé, de fato, se ele aceitar ceder e sucumbir a essas pressões. Eu acho que quanto maior for a liberdade que for dada a essas instituições,     Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário, maior se credencia o governo para dizer que está fazendo a sua parte: que tem sim compromisso para acabar, no Brasil, com a corrupção e com a impunidade”, disse a senadora.Torquato Jardim toma posse na quarta-feira (31). Até agora, ele não se comprometeu a manter ninguém. Logo que foi nomeado, ainda no domingo (28), Torquato deixou claro que antes de tomar qualquer decisão vai ver se Daiello atende ou não aos requisitos que ele e o presidente Michel Temer esperam. Ministros palacianos tentam blindar uma possível de decisão e dizem que Torquato Jardim é independente, e não abre espaço para pressão de terceiros.
Agora há pouco, a assessoria de Aécio Neves, do PSDB, disse que, na conversa com o empresário Joesley Batista, o senador afastado estava se referindo apenas à Operação Carne Fraca. Ainda segundo a assessoria, a gravação foi feita por um réu confesso de vários crimes, que buscava induzir uma situação indevida para ganhar o prêmio da delação.

Fonte: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/05/policias-federais-e-politicos-criticam-troca-do-ministro-da-justica.html