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Em prol da vida, Fenapef adere ao “Setembro Amarelo”

12/09/2016

A Federação Nacional dos Policiais Federais aderiu à campanha internacional “Setembro Amarelo”, trazida ao Brasil pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que tem como principal objetivo a prevenção ao suicídio e a defesa da vida. O dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, motivo pelo qual a campanha é feita principalmente em setembro, apesar de suas ações serem contínuas.

Dentre todas as polícias do Brasil, a Polícia Federal é que tem o maior índice de suicídios. Do ano de 1999 a 2003 foram apuradas oito ocorrências de suicídio dentro do quadro de servidores da Polícia Federal. De 2005 a 2009, foram registrados dez casos. Já entre os anos de 2010 a 2014 foram 22 ocorrências de suicídios. De 2015 a 2016 os registros foram de 4 mortes, o que representa 120% de aumento nos casos. Hoje o número de suicídio na PF alcançou a triste marca de 26 policiais em 5 anos.

No mês passado um perito criminal federal cometeu suicídio dentro do Instituto Nacional de Criminalística da PF em Brasília, usando sua própria arma. Segundo o Presidente da Fenapef, Luís Boudens, dos últimos dez casos de suicídio, quatro foram cometidos dentro do ambiente de trabalho, reflexo de uma série de fatores como o descontentamento com a profissão, a desvalorização, o assédio moral e a pressão psicológica sofrida no trabalho. Segundo Boudens, “esses índices são assustadores e refletem a falta de uma política de recursos humanos na Polícia Federal e a ausência de assistência à saúde dos servidores, o que agrava a incidência de adoecimentos e mortes, inclusive por suicídios“.

A Organização Mundial de Saúde catalogou a atividade policial como insalubre, perigosa e geradora de imenso estresse pelo período de contínuo esforço físico e da exigência intermitente de acuidade e higidez mental. Os policiais são os profissionais que mais sofrem tensão no trabalho, por estarem constantemente expostos ao perigo e agressões, no enfrentamento de situações de conflito que demandam sua pronta intervenção, pois têm a missão de garantir, com o risco da própria vida, a integridade física e o patrimônio dos cidadãos. “O policial está sujeito a um grande número de adversidades que são fatores desencadeadores de doenças físicas e psicológicas”, comenta Boudens.

No ano de 2010 foi publicada a Portaria Interministerial SEDH/MJ N° 2/2010 da Secretaria de Direitos Humanos e Ministério da Justiça (link), para ajudar na identificação do problema psicológico e no tratamento biopsicossocial do policial, com o afastamento do trabalho para que receba todo cuidado e apoio junto a sua família. Mas com seis anos de vigência, essa portaria nunca foi aplicada. Para Boudens, “A Direção Geral da Polícia Federal é omissa e hoje quem tem procurado dar assistência aos policiais federais é a Fenapef e os sindicatos”.

Outro dado importante levantado pela Fenapef é que por descontentamento com a profissão, no período de cinco anos, 812 policiais pediram aposentadoria na data limite, o que significa que é chegado o último dia de trabalho e o servidor não permanece no órgão, mesmo com o abono pecuniário a que faria jus com a permanência no trabalho após o tempo de aposentadoria. Para Boudens, “é o reflexo da questão psicológica que faz com que mais de 80% dos policiais federais não fiquem sequer um dia a mais no trabalho”.

Em outra pesquisa realizada pela Fenapef no ano de 2013, onde foram entrevistados 2.360 policiais do universo de aproximadamente 14 mil policiais federais, as respostas sobre descontentamento com a profissão e o desejo de ir para outro órgão foram de cerca 70%, sendo que 30% destes responderam que tomam algum tipo de medicamento ou fazem algum tratamento psicológico. “30% de uma população armada, em um universo de 14 mil policiais federais estarem com problemas psicológicos é um dado muito sério que reflete um cenário potencial de suicídios”, alerta Boudens.
 
De acordo com dados oficiais expostos pela campanha “Setembro Amarelo”, 32 brasileiros são mortos por dia devido a suicídios. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMC), de 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos. A meta da campanha é combater o estigma que envolve o tema e informar a população, incentivando a mídia a falar sobre o assunto.  “A campanha é de extrema importância para enfrentar esse triste problema e a Fenapef e sindicatos continuarão a exigir medidas da Direção Geral da Polícia Federal para o tratamento biopsicossocial dos servidores, pois a prevenção é a melhor maneira de combater os alarmantes números de suicídios na Polícia Federal e de evitar a ocorrência de novos casos”, concluiu o Presidente da Fenapef.
 
 
Pelo site http://www.setembroamarelo.org.br/ podem-se obter maiores informações sobre a campanha.
 
Agência Fenapef