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​O DIA EM QUE A CUT E O PT DERROTARAM O GOVERNADOR BETO RICHA

04/05/2015
Autor: Valdomiro Nenevê é APF aposentado.


            Lamentavelmente a tarde de 29 de abril de 2015 vai ficar marcada pelos “séculos seculorem amen”. O Centro Cívico em Curitiba virou uma praça de guerra quando um grupo de professores, em passeata, tentou invadir o prédio da Assembleia Legislativa do Paraná no afã de barrar a votação  e aprovação do Projeto de Lei (PL) que mudou as regras da Paranaprevidência, ocasião em que foram rechaçados pela Polícia Militar. O que aconteceu depois, todos sabemos.

            O direito à reivindicação é corolário de qualquer país democrático. O Sindicato dos Professores do Paraná não aceitava que houvesse mudança nas regras da aposentadoria da Paranaprevidência. A greve é legítima e ponto. Porém, somos favoráveis a se discutir na Justiça aquilo que se entende por ilegal, quando, por exemplo, o poder público retira direitos de uma classe como a dos professores, ou da saúde ou, ainda, dos demais servidores. Direito é direito e cabe a Justiça concedê-lo.

            Fato idêntico ocorreu com os professores municipais de Goiânia/GO, cujo Prefeito representa o Partido dos Trabalhadores (PT). Professores da rede municipal de ensino entraram em confronto com a Guarda Civil Metropolitana dentro do Paço Municipal, na manhã desta quinta-feira (23/04/2015), vitimando alguns mestres. Representantes do Sindicato Servidores da Educação do Município de Goiânia (Simsed) alegam que a agressão começou quando os professores tentaram fazer uma caminhada dentro dos corredores da prefeitura, depois de decidirem manter a paralisação.
            Logo após a confusão, o prefeito Paulo Garcia do Partido dos Trabalhadores (PT) usou as redes sociais para comentar o ocorrido. Disse ele: “Lamento profundamente qualquer ato de vandalismo. Não se faz manifestações democráticas que não de forma pacífica. Manifestação pacífica não invade áreas de circulação restrita, que existe em qualquer parte do mundo civilizado”.

            É sabido que há ingerência de grupos alheios nesses sindicatos, como por exemplo a CUT e o PT. No Rio Grande do Sul o maior Sindicato dos professores, CPERS decide desfiliar-se da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Em assembleia realizada nesta sexta-feira (27.03.2015), o CPERS – Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul - o maior sindicato daquele Estado, com 81 mil sócios, decidiu desfiliar-se da Central Única dos Trabalhadores. 

            Também é sabido e notório que o Presidente da Associação dos Professores do Paraná, Sr. Hermes Silva Leão, é simpático ao Partido dos Trabalhadores (PT), inclusive fez campanha para a Senadora Gleisi Hoffmann e a presidente Dilma Rousseff. Da mesma forma, a Diretora da APP-SINDICATO, Professora Marlei Fernandes de Carvalho, além de ser filiada ao PT e a CUT, foi candidata à Deputada Federal pelo Partidos Trabalhadores (PT) nas eleições de 2014 e não foi eleita.      

            Por que os sindicatos dos professores de todo o Brasil não reagiram ao corte de despesas no setor educacional levado a cabo pelo governo Federal? A presidente Dilma Rousseff iniciou seu segundo mandato com contradições. Diferentemente do que prometeu, transformar o Brasil, o país da educação, sob o slogan “Brasil. Pátria educadora”, ela determinou cortes que atingem de forma intensa a área. A Educação foi o ministério que mais perdeu, mas também é um dos ministérios com um dos maiores orçamentos. A perda para a educação foi de R$ 7 bilhões.

            Isso posto, entenda como a CUT e o PT derrotaram nesse episódio o governador Beto Richa. Segundo especialistas no assunto, o Projeto de Lei (PL) que muda as regras da Paranaprevidência é necessário e inadiável, bem como nenhum servidor perderá qualquer benefício com isso, garantem esses especialistas.    

            Pertencendo o governador à legenda do PSDB, evidentemente que a APP-SINDICATO faria de tudo para manchar sua reputação. E conseguiram! Ou seja: ante às provocações e agressões de alguns baderneiros não-professores, mas que compunham o grupo, que pretendiam a todo custo invadir e depredar a Assembleia Legislativa, a Polícia Militar reagiu com violência, deixando um saldo de mais de duzentas vítimas.

            Foi exatamente nesse ponto, a meu ver, que o governador errou e feio. Não teve o necessário jogo de cintura que é crucial para a atividade política. Ora, bastava que a votação desse Projeto de Lei fosse adiada e houvesse mais diálogo com os professores e demonstrasse com fatos e  números a real necessidade da mudança no regime previdenciário estadual.

            Outro cenário exequível que poderia ocorrer nessa tarde fatídica, seria o suposto fato de os baderneiros não-professores, mas que compunham o grupo, não encontrando resistência da PM, invadiriam a ALEP e depredariam à vontade. Ora, era preferível que houvesse danos ao patrimônio público, que depois de mensurado a APP-SINDICATO seria responsabilizada pelos prejuízos ao erário, a reagir e vitimar um professor, apenas um que fosse, que era exatamente o que a CUT e o PT queriam e o governador caiu direitinho nessa armadilha.

            Isso me fez recordar o que ocorreu na final da Copa do Mundo de 2006 quando no jogo no estádio Olímpico de Berlim, na Alemanha, um dos melhores futebolistas de todos os tempos, Zenedine Zidane, capitão da seleção da França, reagiu à uma provocação injusta e deu uma cabeçada no jogador da Itália, Marco Materazzi, ocasião em que foi expulso e encerrou a brilhante carreira. Marco Materazzi insultou tanto Zenedine Zidane com o firme propósito de ser agredido e sua atitude foi coroada de sucesso com a expulsão do melhor jogador da França e consequentemente a Itália sagrou-se campeã.

            Pelo menos essa atitude rendeu a Zenedine Zidane uma estátua de 5 (cinco) metros exposta em frente ao museu de arte moderna Centro Pompidou, em Paris, obra do artista argelino Adel Abdessemed.

            Depois desse episódio no Centro Cívico em Curitiba qual será o legado do governador do Paraná, Beto Richa, e o que o futuro lhe reserva? Será que vai ser homenageado com uma estátua ou também vai encerrar a carreira política. Lembrem-se: o futuro a Deus pertence.