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PRESIDENTE VENTRÍLOQUO

04/01/2011
Autor: Wilson Capeleti Boff

Ventriloquia é a manobra em que a pessoa procura falar sem abrir a boca, ou sem mover os lábios, de maneira que a voz pareça vir de outra fonte, que não a do falante. Na Grécia antiga a arte era utilizada junto aos mortos, causando a impressão de que esses se comunicavam com os vivos desde a alcova. Já quem pratica a arte é o \"ventríloquo\", que nos tempos atuais manipula, dando voz e vida a um pitoresco boneco, na espera de arrancar aplausos de uma platéia. É claro que o boneco atrai mais as atenções dos curiosos.




Transpondo esses caracteres para a política, vamos encaixá-los no fenômeno protagonizado pelo Presidente Lula, com a eleição de Dilma Roussef para substituí-lo. Ela é a criação acabada do atual presidente. Mas enganam-se aqueles que acham que ela é a cara de Lula. O presidente lançou seu nome na mídia, fisgando-a do nada. Uma senhora que surgiu de uma hora para outra, vinda não se sabe de onde, com um currículo mínimo, para explicar suas credenciais ainda não totalmente confiáveis, e indigeridas por grande parte dos cidadãos brasileiros, mesmo os que nela votaram. Dadas as circunstancias, uma candidata desconhecida dos brasileiros, alçada repentinamente na condição de dirigente primeira de um país exuberante como o Brasil, que apresenta-se no cenário internacional como um potencial emergente, originou uma onda de espectativa na sociedade civil, parcialmente amainada pela sombra onipresente de Luiz Inacio Lula da Silva, seu moderado e recorrente criador.




O Presidente Lula é o magistral ventríloquo de Dilma Roussef. E ela, claro, aquele boneco inamimado que ganha vida, expressões cuidadosamente controladas pelas mãos, voz, gestos, trejeitos, e por que não, pelo pensamento do presidente. Não vimos nada ainda. Lula vai ser por muito tempo o \"ponto\" na orelha de Dilma, (aquele dispositivo eletrônico muito utilizado por jornalistas para receber mensagens, orientações da produção, durante alguma entrevista ou programa televisivo). Ele estará presente com sua voz, sua escrita, seu dedo em riste, (mesmo ausente fisicamente), na hora em que a presidenta necessitar, quando ela titubear e não achar as palavras certas para um texto que não poderá conter erros. Na hora do discurso ensandecido, em que os olhares de retaliação, cegam os seus, e que nesse momento falta-lhe uma cadeira e suas pernas balançam no ar...Na hora chegada, fatídica e desafiante de enfrentar o ninho venenoso de verdadeiras cobras-criadas da Câmara e do Senado Federal... Nesse momento a criatura, inexperiente e noviça, clamará pelo seu criador. Para que Dilma caia nas graças do cidadão brasileiro, independente do enquadramento desse na classe A, B, ou C, terá que trabalhar com esmero e o cuidado no tratamento nivelado entre ricos e pobres. Sem mágoas ou ressentimentos, mesmo porque certo grupo de brasileiros ainda tão somente a reconhece como a rebelde que assaltava bancos e era partidária da luta armada. Eles não têm culpa, uma vez que não a viram jamais fazer outra coisa! Naõ será tão fácil passar o borrão de uma hora para outra na silhueta revolucionária do passado, sendo eleita a presidente do Brasil, sem ao menos ter passado a limpo sua pessoa, provando por ventura ser uma brilhante parlamentar ou titular de um cargo da administração pública. Salienta-se também o fato de ser ela uma mulher, a exercer um cargo de tamanha responsabilidade, num ambiente que sobremaneiramente ainda cultua-se resquícios de machismo!




É claro que no decorrer de seu mandato, Dilma poderá surpreender negativamente, consoante suas declarações afirmando que governará para os mais carentes... Que será a presidenta do proletariado... dando margem a especulações, a um clima de espera e tensão, sobre qual seria realmente a marca registrada de seu governo. Há uma incognita a pairar nos ares brasileiros. Assim também, poderá ela demonstrar a que veio, exercendo com maestria seu governo, administrando de maneira a não ferir nenhuma das classes componentes da nossa sociedade.




Dilma Roussef necessitará mais que um ventríloquo para deixar a condição inamimada de boneco, cortando o cordão umbelical que os unem e brilhar numa carreira solo e governar o país. Deverá aprimorar-se com serenidade, dedicar-se com todas as forças físicas e emocionais, mesmo tendo que discordar paulatinamente com seu criador, o presidente Lula, até que seja verdadeiramente diplomada em Presidência da República e exercer o cargo com independência. Um ventríloquo não atua eternamente!





Wilson CAPELETI Boff é agente aposentado em Curitiba