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O RIO INVENTOU UM PAÍS!

11/09/2014
Autor: Vilson Capeleti Boff

Certo dia ouvi alguém dizer: “vamos tornar o Rio de Janeiro independente, formá-lo um país e daí vamos exigir passaporte para que o seu povo entre no Brasil”. Inspiração desqualificada! Ora, não é mesmo por essa linha de opinião, -que calha mais à classe do humor gratuito e descartável, sem maiores implicações -que nossos co-irmãos teriam passagem para uma vida tão menos extraviada, menos tensa, mesmo porque aquele povo, em geral, na sua alegria e bom humor, inimitáveis, não deve arcar com um balaio de pechas bairristas, mas é notório que a má fé e os interesses escusos governamentais, que vieram se sucedendo, geraram ali um poder paralelo, beligerante, uma criminalidade física e real, de envergadura e poderio fantásticos, a ponto de influenciar ou direcionar eleições majoritárias, de dispersar ordens instituídas, de atravancar a atuação policial, desacreditando o cidadão de bom caráter.

Para a geografia do Rio de Janeiro, a natureza extrapolou e não mediu esforços em formar o cenário harmonioso, deslumbrante e de uma silhueta encantadora, considerando-o em seu estado ainda original, anterior a um mínimo de sua ocupação gananciosa e desenfreada.

Mas se por um lado o estado geográfico foi privilegiado gratuitamente por esse eterno retrato, por outro, esse patrimônio imensurável foi velozmente tentando os olhos humanos, a explorá-lo sob todas as facetas, na inobservância quase absoluta de tudo o que seja requerido num ordenamento legal. A ganância desenfreada e insana é a causa maior da animosidade que percorre e domina o universo dos usuários daquele paraíso. Por ironia, a própria conformação da natureza circunvizinha, perfilada de morros e outros locais de difícil acesso aos indivíduos de melhores condições financeiras, favoreceu sobremaneiramente a formação de autênticos guetos, redutos de indivíduos de diferentes origens e índoles, nem sempre partidários de um comportamento regular, e bem quisto pelos demais habitantes. Nesses guetos, incrustados nos morros, o estado, como ente administrador, intermediador e solucionador de problemas é nitidamente ausente. Onde o estado falha, onde o estado não comparece, como se representante do bem, o mau prospera, e nas formas mais inesperadas e criminosas a assolar aqueles que têm a coragem de permanecer teimosamente entre a cruz e a espada. Pode-se esperar que o próprio estado, nas pessoas de seus “operários”, venha aproveitar-se da ocasião, para corromper-se, vincular-se ao crime, agravando imensamente o grau de sua moralidade.
É bem provável que para a administração pública, (a de má fé), o desencadeamento de crises, imediatas ou constantes, é um achado, um evento bem-vindo e veladamente saudado, uma vez afigurar-se como uma oportunidade áurea de manipulação de verbas, isto mediante orçamentos e licitações viciadas, sempre com o argumento da missão em combater e dizimar o grande mal!

Em suma, para o administrador mal intencionado, quanto mais problemas, e dos mais sérios, melhor para “justificar” orçamentos.

Os tipos locais e forasteiros foram se apropriando, cada qual em seu gênero, do espólio público do Rio de Janeiro, ocupando cada qual, de acordo com seu interesse específico, seu lugar de atuação, travestidos a caráter, a ponto de enxotar para um canto qualquer, banalizada, reduzida, a ordem legal, o estado de direito... e o dever.

No Rio concentram-se os meios de comunicação mais importantes do pais, formadores de opinião, e por eles são canalizados todo um universo de notícias, as que dizem respeito à violência, aos maus comportamentos, sejam eles provenientes do cidadão comum mal intencionado ou da esfera da administração pública. Nos parece que o Rio acaba por ser um mentor, formador e executor de um modismo marginal repugnável e freqüente mais nas páginas dos tablóides policiais e câmeras sensacionalistas, gerando comportamentos não tão aconselhados , mas que parecem destoar da vida cotidiana da maioria do povo brasileiro. O estado é um membro da federação política, como os outros vinte e seis, posando diferenciado, interminavelmente beligerante, administrativamente frágil e vulnerável. A sociedade civil em permanente stress, num pedido de socorro, que jamais chega, que jamais é suficiente, que jamais soluciona. Suas instituições maculadas, os órgãos públicos deteriorados, funcionários manipuláveis, carentes de um bom exemplo a seguir.

O Rio é mesmo uma cidade maravilhosa, ou tem ele apenas uma natureza maravilhosa?!
Num certo tempo atribuíram a Paris como capital universal da moda, compreendendo o vestuário e outros segmentos de uso pessoal. Atribuição louvável, uma vez tratar-se de um objetivo saudável e pacífico. Não se quer atribuir ao Rio, a vanguarda na popularização de comportamentos indesejáveis ou marginais, mas são diversos os veículos emuladores de atitudes obtusas ou inconvenientes, acessíveis aos brasileiros pelos noticiários, pelas redes sociais, filmes, páginas policiais, oportunizando ao indivíduo, tomar conhecimento, questionar e eventualmente agregar e também praticar esses elementos, que acabam elevando a imagem do estado a um patamar de destaque e único, em relação à vida cotidiana nos demais estados do país. Do Rio nos mandam informes dando conta de que a própria máquina do estado é conivente com a criminalidade, nas infindáveis formas e artimanhas maquiavélicas. O estado tem o dever constitucional de salvar a população da criminalidade, como também extingui-la de vez, valendo-se de um corpo policial que supõe-se neutro, isento e idealista; As chamadas “milícias”, (cuja conotação é de pronto, equivocadamente utilizada pelos cariocas, uma vez que referia-se aos guardiães revolucionários populares em Cuba, assim que Fidel Castro chegou ao poder e mais recentemente, também foram utilizadas na Nicarágua, em El Salvador...), enaltecia o caráter voluntarioso, nobre, para aquelas circunstancias, de defesa da revolução, em contrapartida às investidas bélicas norte-americanas e de seus protegidos. Em suma, nas revoluções, as “milícias”, as verdadeiras, tinham caráter nobre e eram engajadas à população, com fins não gananciosos, lucrativos ou criminosos, mas de entrega idealística. No Rio, além de uma tentativa de apropriação indevida e distorcida da identidade das verdadeiras milícias, seus integrantes são nitidamente criminosos, funcionários do estado ou não, e para tanto, uma presença repudiada pela população de bem; As UPP(Unidade de Polícia Pacificadora), resultam em mentirosas e ufanísticas bandeirolas de atuação extraviada do poder público, e de um resultado comprovadamente efêmero, a contar pelo amadorismo e pela falta de imparcialidade dos seus próprios agentes. Resulta muito difícil mesmo combater qualquer natureza ilícita, quando os profissionais que deveriam fazê-lo estão acentuadamente avizinhados ou íntimos a atividades ou famílias criminosas; O “jogo do bicho” criou um estado público pervertido, conivente e robustamente contraventor , desmoralizado no seu dever de fiscalizar, ante qualquer argumento ou resistência, tornando-se mínimo, ineficaz e fragilizado. Com a administração pública nessas condições é que não se pode jamais combater uma contravenção organizada, e suas variantes ou desmembramentos: o tráfico de drogas, as “milícias”, a mobilização carnavalesca, tramitação e despachos em órgãos públicos, cassinos clandestinos, prostituição, etc.

A conivência das autoridades públicas faz imperar, fortalecer e perpetuar o crime e humilhar as instituições, fragilizando-as, e aos seus agentes, vigorando uma determinada regra já comum e de fisionomia criminosa, a lei do “dar um jeitinho”. Nesse processo o cidadão que a princípio não coaduna com a imoralidade, vê-se encurralado entre o santo e o capeta, tendo que forçosamente ceder, senão sua vida estanca e provavelmente será sinalizado negativamente... por não participar!

Para o Rio de Janeiro os “royalties” patrocinados pelo petróleo de sua orla marítima, converte-se num filão insofismável e caudaloso, que, se aplicado com idealismo, bom senso e disciplina, elevaria o estado a um nível de crescimento exemplar invejável, pois a maioria dos outros estados, embora não possuindo tal regalia, mesmo assim não são titulares de tantos desconfortos e vão suportando heroicamente a imposição da tarefa caseira. A bem da verdade, o Rio, com o dinheiro aferido dos poços de petróleo, bem que poderia dar a graça de um grande estado da federação, principalmente nas áreas da segurança, da saúde, da educação... atualizado, sanado, posando num IDH aceitável e invejável para os padrões brasileiros. Que desdobramentos dariam então hoje ao Rio de Janeiro, sem a soma polpuda que recebe religiosamente com base na produção de petróleo em seu estado?