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A ORGANIZAÇÃO EM CRISE

03/07/2014
Autor: Uma adaptação do Agente João Gretzitz para o texto originalmente produzido pelo consultor Carlos Pessoa.

“Mais do que em qualquer outra época da história, a humanidade encontra-se numa encruzilhada. Um dos caminhos conduz à agonia e à absoluta desesperança, o outro leva à extinção total. Rezemos para ter a sabedoria de escolher corretamente”.

Woody Allen


Longe de aceitar como uma verdade absoluta a “frase de efeito” sugerida acima, temos que compreender como as pessoas reagem e decidem sob pressão nas organizações. Por isso, uma primeira pergunta que deve ser feita é: por que a organização encontra-se em crise?

Uma crise não é um evento, em geral não acontece da noite para o dia. Embora muitas situações de exceção possam acontecer subitamente, por exemplo, uma mudança abrupta na legislação, uma greve, uma declaração de guerra, um terremoto, um incêndio, uma inundação, uma morte inesperada, elas são pontos fora da curva, são exceções.

Em geral, a ocorrência de eventos pode ser relativamente previsível, quando existe uma inteligência proativa, capaz de ler e decodificar corretamente os sinais. Mas, em geral, não a temos.

A crise pode ser comparada a uma enfermidade que vai se instalando aos poucos no corpo das pessoas e que, depois de instalada, mostra sua evolução através dos sintomas, que sejam as febre ou dores de cabeça...

Em geral, ao pronunciar a palavra crise, o gestor quer dizer que está percebendo os sintomas (apenas os sintomas) de um “vírus” que já se instalou anteriormente no seio da organização e não foi devidamente combatido e eliminado na época. Seja porque não foi prontamente detectado, seja porque a ele não se deu a devida importância, seja porque os gestores negligenciaram os procedimentos ou, ainda, porque a organização se via impotente para destruir aquele vírus. Em outras palavras, a crise é simplesmente a conseqüência que surge no presente, e que pode se perpetuar no futuro, causada por uma falha ocorrida no passado.
Assim, a primeira ação consiste em identificar os motivos, as reais causas da crise. A realização do diagnóstico, por si só, deverá vai indicar os possíveis erros cometidos, as ações e omissões que podem ter levado ao atual estado de coisas. Isso já é um extraordinário aprendizado. Porque, como diz George Santayana, “Aquele que esquece o passado está condenado a repeti-lo”.

A segunda pergunta que todo gestor deveria fazer a si mesmo é: qual seria meu comportamento em situações de crise? Como será meu processo decisório? E minha linha de ação? A mais voltada para reduzir os riscos e ameaças, ou para rentabilizar as oportunidades? Ou ambas?
As decisões que delimitam nossas vidas são as mesmas que delimitam a vida das organizações.
Tomadas consciente ou inconscientemente, com boas ou más conseqüências, as decisões representam a principal ferramenta utilizada para lidar com as oportunidades, riscos, desafios e incertezas de nossas existências.

A necessidade de fazer uma escolha decisiva apresenta riscos de ansiedade, confusão, dúvida, erro, arrependimento, embaraço, perda e ainda nos expõe ao julgamento dos demais.

Sabendo identificar o comportamento típico a adotar, será sempre possível aperfeiçoá-lo.
O descortinar dessa possibilidade se mostra importante, porque a tipologia do comportamento adotado perante a crise irá direcionar as ações estratégicas e vai interferir nos resultados da organização.

As dolorosas revoluções que, nas últimas décadas, já ocorreram em tantas organizações refletem a incapacidade dos gestores de acompanhar o ritmo acelerado das mudanças no mundo globalizado.

A maioria dos gestores só considera a possibilidade de investir na regeneração da estratégia, quando os processos tradicionais não são mais capazes de deter o declínio da organização.

Nenhuma estratégia será suficiente por si só se não envolve a pessoas que a viabilizam, levando ao objetivo estabelecido, o sucesso. Práticas como reestruturação, programas de qualidade, empoderamento dos funcionários e tudo o mais têm o mesmo objetivo, o sucesso.

A estratégia só será construída através do esforço conjunto da hierarquia da experiência (passado) e a força da imaginação (futuro).

A busca da eficiência operacional não substitui a imaginação e criação do futuro e nem garantirá o sucesso de uma organização que não repensar e regenerar suas principais estratégias.

Infelizmente, a reflexão profunda sobre o futuro e como reformulá-lo só ocorre quando o sucesso atual se encontra em franca corrosão, ou, às vezes quando já se chegou ao fundo do poço. Afinal, onde queremos chegar?