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AS FARC NÃO EXISTEM

08/04/2014
Autor: Vilson CAPELETI Boff

A história, nos apresentavam nas escolas, quando crianças, em livros cuidadosamente organizados, causando-nos curiosidade e expectativa quanto ao conteúdo ao qual nos faziam debruçar com apego. Nessa idade o conteúdo apresentado era inocentemente confiável e ... inquestionavelmente assimilado. Mas o tempo sempre nos dá a oportunidade de, mais adiante, descobrirmos pelas nossas próprias buscas de que nem sempre aquilo que nos apresentam como verdadeiro e terminante, resulta ser uma cópia fiel e representativa de fatos ou feitos localizados num lapso da existência humana. Assim, um ditador que governa um determinado país por um certo período, às vezes alternando membros de uma só família, escreverá a sua história, da maneira que lhe convier, com os “heróis” que assim criar , mesmo que determinados fatos não estejam em consonância com a realidade. Um grupo revolucionário, ao tomar o poder pela força das armas, muito provavelmente registrará a história de seus feitos, à maneira que lhe convier e conformando seus interesses, que satisfaça a sua ideologia ou enalteça as suas ações, vangloriando heróis de última hora, ou substituindo outros, de outras épocas, e que talvez simplesmente não lhe agradem ou que não lhe sejam simpáticos. Nesse imbróglio político-administrativo-ideológico, são humilhados, desdenhados alguns heróis da pátria, são esquecidos outros, são substituídos métodos de ensino, métodos econômicos, regimes políticos... A história enaltecida, a história contada, a história escrita, é o tempo-momento de quem está no comando! De quem está no poder, mesmo há um século...

Na Nicarágua, com a ascensão dos Revolucionários Sandinistas ao poder (através de uma guerra civil) em 1979, a metodologia de ensino aplicada nas escolas passou por uma adaptação imediata, considerando a necessidade de conscientizar e adestrar os jovens para a defesa da revolução, esta de cunho socialista, aos moldes de Cuba. Adotou-se um método de ensino do sociólogo brasileiro GILBERTO FREYRE e os sandinistas foram de imediato adaptando suas palestras ideológicas, investindo na lavagem cerebral escolar. Assim, para somar-se 1 mais 1, fazia-se a seguinte operação: “1 fuzil mais 1 fuzil é igual a 2 fuzis”. “Se eu perseguir 3 inimigos e eliminar 1... Quantos restam?” Oxalá os sandinistas não tenham esquecido, desprezado ou humilhado ao menos um dos personagens mais importantes da América Espanhola, o escritor e poeta nicaragüense RUBÉN DARIO, apenas pelo fato de ter ele pertencido às páginas de livros de uma outra história, que não a escrita por seus escrivães.

Na Colômbia, os Estados Unidos adquiriram a preços simbólicos (sob uma alegação enganosa sem precedentes), um terreno propício para montar sua parafernália eletrônica silenciosa e sem corpo, e bases militares camufladas para bisbilhotar todo o continente sul-americano. A justificativa é de que está combatendo juntamente com os colombianos, inimigos perigosíssimos e desestabilizadores, os narcotraficantes e os guerrilheiros das FARC-Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Pela vinculação e pela dependência da Colômbia hoje, em termos de logística e colaboração estreita, podemos dizer que o país representa o qüinquagésimo estado americano. A partir do território colombiano os Estados Unidos tem um observatório invejável e sabe dos acontecimentos do dia a dia nos quintais da maioria dos países vizinhos inclusive do Brasil. Então, não querendo sermos tamanhamente ingênuos, as FARC existem, no tempo, no tamanho e na beligerância que os Estados Unidos precisam. Fortalecem-na ou robustecem-na ao seu bel prazer ou interesse. Com as armas e aparelhos de alta definição, monitoram passo a passo os “narco guerrilheiros”, seus treinamentos, sua localização, seus deslocamentos... E não são eles revolucionários porque vivem da bonança do lucro com o narcotráfico para engordar as contas bancárias de seus líderes, familiares e “laranjas” pelo mundo. Não são traficantes declarados, porque vivem da farsa ideológica marxista, vestidos a caráter e treinando como guerrilheiros. Se revolucionários fossem os membros das FARC, contando com a quase inexistente colaboração popular para a seu sustento e logística, o grupo teria se extinguido há décadas atrás.
As verdadeiras revoluções se esfacelaram no tempo, quando jovens, na idade da força, da crítica, da coragem, organizavam-se para, unidos, combater algum regime ditatorial, desinteressadamente, sem a cobrança de um retorno financeiro. Puro idealismo. Um indivíduo voluntarioso, doando-se em prol de uma maioria, de milhares... mais necessitados. Não há que se falar em revolução sem, citar El Salvador e Guatemala. Antes de El Salvador e pós El Salvador. Este é o marco das revoluções. Desde então, tivemos um apanhado de grupos rebeldes e totalmente indisciplinados empunhando armamento pesado, sem a consciência de sua verdadeira missão, a procura de diamantes na África e refinando cocaína na Colômbia... Ernesto (Ché) Guevara de La Serna, idealista excêntrico, se vivo fosse, é bem provável que se enforcaria de imediato, ao saber que rumo tomaram suas revoluções. Ou, bonzinho, agora contra revolucionário, e desiludido, cabelo aparado, poderia desfilar tranquilamente, engajado, nas fileiras de qualquer exército regular de algum país.

Para os Estados Unidos, as FARC e o narcotráfico, são um mau infinitamente necessário e ao seu discernimento devem ser poupadas, mesmo correndo o risco da chacota, mesmo sob a crítica silenciosa daqueles que não possuem os meios, a liberdade ou os recursos adequados para desmistificar uma máquina propagandística político-militar insuperável. Sustentado na farsa da existência de um inimigo poderoso e difícil de ser combatido, elegem-se ou reelegem-se presidentes, aprova-se orçamentos gigantescos, treina-se tropas e mais tropas, testa-se novas armas... E a história, aquela que vai-se passando de escola em escola, de criança para criança, vai sendo manipulada segundo o interesse de quem apresenta-se como ente dominador, líder, impostor de métodos, dono da última palavra, pela força, acreditando por fim que seu estilo é a lei, um mandamento a ser seguido incontinentemente.

Os Estados Unidos fingem combater um grupo revolucionário invencível, (invisível). Os “narco revolucionários” fingem estar promovendo a igualdade social, através de um discurso manipulado e lido sob a mira de modernos fuzis. A população campesina pobre da Colômbia continua pobre, e finge, com o mais alto grau de subserviência possível que um ser humano possa atingir, que a aquele teatrinho é uma revolução! O absurdo desse processo: todos se ajudam e se colaboram na Colômbia: os Estados Unidos ajudam as FARC (patrocinando a permanência dela, esticando seu tempo de vida...); as FARC colaboram com os narcotraficantes dando-lhes guarida e segurança para explorar e exportar cocaína; os narcotraficantes ajudam as FARC, dando-lhes altas somas em dinheiro e abastecendo-os com o armamento, a logística necessária para fingir que promovem uma revolução, com o objetivo final de implantar o socialismo no país; as FARC e os narcotraficantes, juntos, sua existência dão aos Estados Unidos carta branca e o visto de permanência pelo tempo que optarem acampar em território colombiano.

Se por um lado a Colômbia vai se endividando com polpudos empréstimos americanos, ou repasses a fundo perdido, com a pretensa intenção de combater uma revolução quase virtual e o tráfico internacional de drogas desde seu território, pouco desses dólares permanecem no país. Ou senão vejamos: o treinamento dos grupos especiais de soldados colombianos é terceirizado a americanos (remanescentes do Vietnam, Iraque, Afeganistão...). O fardamento, o armamento, a comida especial para a selva, os helicópteros que transportam a tropa... De certa forma há algum dinheiro repatriado.

A bem da verdade, o tráfico de drogas e uma revoluçãozinha mentirosa, localizada , de faz de conta, como a das FARC, nem fazem parte do objetivo maior dos Estados Unidos na região. O monitoramento, a hegemonia e o controle político militar sobre seus congêneres, é muito mais importante, uma vez que em décadas recentes, sua supremacia como império agregador, comandante, esteve notoriamente abalada, com a ascensão de governos regionais liberalizantes, de feições politicamente autônomas.