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PRA FRENTE BRASIL, O RETORNO

21/03/2014
Autor: Vilson Capeleti Boff

O cineasta Roberto Farias dirigiu em 1982 o filme “PRA FRENTE BRASIL”, o qual deu coragem e abriu caminho a depoimentos pelos diversos meios de comunicação de massa, sobre prováveis atrocidades cometidas pelos militares brasileiros e seus colaboradores, no intuito de manter sobrevivente o regime político dos anos setenta. Na verdade o filme emprestou o nome da música-marchinha “Pra Frente Brasil”, a qual tinha sido o hino chamativo e incentivador da torcida brasileira na Copa de 1970. Foi o hino da copa, para os brasileiros. E de que trata enfim o filme? Assim como o excelente filme “MISSING”, (em relação ao regime chileno), de Costa Gavras, lançado mais ou menos na mesma época, “PRA FRENTE BRASIL“ retrata as duas facetas nitidamente opostas vividas pelos brasileiros durante a Copa do Mundo de 1970: acima da terra, sobre o nível do solo desta amada pátria, o povo, menos avisado ou iludidamente entusiasmado, festejava com orgulho ao incentivo dos alto-falantes da caserna, comemorando a conquista do Tricampeonato Mundial. Mas no sub-solo, propenso, compartimentado, alienado, o silencio macabro da noite era tangido pelos gritos de dor que os algozes causavam aos militantes e opositores do regime, na esperança de obter a melhor confissão que fosse sobre o andamento das atividades revolucionárias. Acima do solo, a festa, a alegria, comemoração. Abaixo, no sub-solo, o medo, a dor, a angustia de não ter certeza sobre o amanhã. Dos militares uma sede incontrolável de invadir e dominar o corpo e a alma de qualquer cidadão vulnerável e militante de grupos de esquerda, armados ou não. Urgia que a reação dos caçadores fosse rápida, fulminante... arrasadora. Eliminadora. Qualquer tentativa de importunar o regime deveria ser desestimulada e aniquilada. Rápido. Atuar disfarçadamente, então entre o zumbido dos fogos de artifício, entre os gritos da torcida extrapolada e fora de si. Era uma corrida contra o relógio. Afinal não é sempre que se conquista uma copa do mundo. Que se tem à mão uma população propensa e incauta... E o regime tinha que aproveitar a oportunidade. E assim o fez, jogou todas as cartas necessárias para que o triunfo da Copa do Mundo trouxesse um respiro a mais, um oxigênio confortante, e com a população em êxtase, embriagada, ocupada, pudesse talvez perpetuar-se no poder, ou pousar para a patuléia como o grande herói, patrão de um time vencedor.

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Trazendo para perto os fatos acontecidos naqueles anos de poucas liberdades individuais, hoje, quando está programado e amplamente divulgado o evento da . COPA DO MUNDO DE FUTEBOL no Brasil, chego a conclusão, com tamanha surpresa, de certas facetas ou determinadas semelhanças que me levam a comparar os eventos de 1970 com 2014, no que tange à necessidade da sustentação e manutenção de uma ideologia, de uma bandeira política, de um mentalidade. Nesse enredo, que nem sempre é exposto claramente o objetivo verdadeiro, esconde-se um comboio de entusiastas, de oportunistas, que, sob a salvaguarda desses guarda-chuvas ideológicos, dão vazão a um instinto cruel de ambição, galgando cargos estratégicos, benesses e muito dinheiro de origem escusa, firmemente propositados a esticar seu tempo no poder. Se as nuances que caracterizam cada momento da história política são diferenciadoras especificamente, detalhadamente, de um modo geral, do que mais precisa hoje a presidente Dilma Roussef e o Partido dos Trabalhadores para fortalecerem-se ou perpetuarem-se no poder, é de uma vitória na Copa do Mundo aqui no Brasil. Durante o governo militar, durante a Copa de Setenta, grande parte dos componentes do governo vigente, estava naquela época, ou na clandestinidade, ou na militância pelas ruas, diretórios estudantis, em piquetes nas fábricas, mas sempre na oposição. Receberam um cheque valioso, em branco, administrar a democracia, e quando tentaram praticá-la, substituindo seus declarados inimigos ou algozes, assinaram e preencheram no papel uma quantia completamente diferente, em discordância do que tinha sido confiado pelos brasileiros. A democracia foi perseguida, mendigada, suplicada e alcançada após incessante busca pela bandeira do PT, e quando efetivado o pleito, os seus detentores não souberam gerenciá-la. Na Copa de Setenta o governo militar agonizava, desesperava-se por manter-se em hegemonia, mesmo maquiando um empreendimento de envergadura como o “O MILAGRE ECONÔMICO”, a “TRANSAMAZÔNICA”, a Itaipu, a colonização/desmatamento de Rondônia, etc. Eram projetos ilusionistas, direcionados à população menos instruída, instituindo-se a farsa de que os militares no poder, eram eficientes, desenvolvimentistas, progressistas, bonachões, e o idealismo da militância esquerdista era uma utopia de diretório acadêmico ou de intelectual desempregado. Pois o PT não torturou fisicamente ninguém. Mas moralmente nos decepcionam. Com um orçamento robusto e disponível para administrar sossegadamente, dando aos brasileiros condições melhores que em 1970, não consegue concretizar com clareza e transparência, um projeto sequer de irrigação agrícola, uma estrada de ferro que seja, sanar o setor de saúde, uma pequena hidrelétrica.... Qual a diferença, no quesito engodo, na maquiagem, entre o “O MILAGRE ECONÔMICO”, a migração desmesurada de agricultores para o Norte, a “Transamazônica”, a Itaipu, promovidos pelos militares ... e as carteirinhas assistenciais (vale fome, bolsa família, vale-preso, vale-creche, etc)?... Não são engodos, não são artimanhas ou arapucas maquiavélicas com o objetivo dissimulado de iludir ou desviar a atenção da população (sempre os menos esclarecidos ou os desavisados) e que culmina invariavelmente com o mercado de votos em favor da situação ou da permanência no poder? Exigiu-se e conquistou-se a democracia. Ela foi delegada pela via das urnas e, a contar pelas ações escusas praticadas pelos administradores petistas, historicamente opositores ou esquerdistas de algum outro regime, a tortura ao povo brasileiro vem sendo executada aos moldes dos tempos modernos, sem a exibição de uma insígnia, de uma baioneta, não na forma que fora repassada aos governantes pela via das urnas, não pelos desejos ou indicações dos eleitores, ( estes nada podem e não tem acesso). É visível o desespero da administração do PT, em campanha massiva pela maquiagem de um projeto político frágil e de eficiência contestada, e a presidente Dilma - assim como fizeram os militares na Copa de 1970 - vai jogar todas as cartas, até o apito final da última partida, e tentar, com a eventual conquista da Copa do Mundo no Brasil , mentir sarcasticamente para os brasileiros que ela é insubstituível, imbatível. A Copa pode salvá-la... Seu futuro como presidente do Brasil, e o PT em evidência, depende do acampeonato. Pois... o partido deve preparar-se, marchar com menos sede ao pote. O futebol está globalizado, técnica e corporativamente. E o seu posto pode não estar no comando. Terminantemente, parece que os campos de tortura inverteram as posições, ou níveis, do subsolo para o campo aberto. Dos porões para as ruas! Agora testemunhados.