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Viva! E que vivam nossos heróis...

05/01/2011
Autor: Dalmey Fernando Werlang

Com todo o respeito aos colegas, sobretudo àqueles que não corroboram com as minhas palavras, pois o livre arbítrio lhes faculta esse direito.


Estou convencido de que é oportuno e pertinente, e ainda, convicto de que estas mesmas palavras ecoaram um dia da voz do ilustre colega MAURO LOBO, que em vida dedicou-se com denodo à sociedade, doando-se integralmente a essa causa, e cuja memória nos acompanhará pelo restante de nossa existência. Quero externar aqui meu desejo de que estas vidas não tenham sido ceifadas sem que, efetivamente, essas lições sejam assimiladas por aqueles que detém o poder de determinar.





Que o DPF seja exemplo de ética para a sociedade, mas que esta seja aplicada internamente, e ainda, já que a carreira única, por ora, é pura utopia, ao menos a nossa valiosa Academia forme PCF’s, APF’s, EPF’s, PPF’s e, também, DPF’s, e não CPF’s (Chefes de Polícia Federal). Que a condição de chefe seja, sempre, e, exclusivamente, uma conquista em função da experiência, qualificação, desempenho, capacitação e, conhecimento e aplicação doutrinária, enfim, que o mérito predomine, e que das cinzas renasçam os líderes, chefes por legitimidade.





“Uma sociedade que abandona o Mérito caminha a passos firmes para a mediocridade”.



Quando faço menção à ética, quero, sobretudo, chamar a atenção daqueles que acreditam que após um curso de formação, seguido da investidura em uma carreira, automaticamente, instantaneamente e prematuramente, “adquirem” trinta anos de experiência e todo o conhecimento doutrinário, teórico e prático, decorrente disso. Nesse caso específico, não creio que o termo “posse” seja o que melhor define a investidura, mas, “coroamento”, afinal, o que temos vivenciado, por analogia, assemelha-se à remotíssima “Era dos Reis Divinos”, ainda na antiguidade, ou, mais recentemente, na idade média, com “o Direito divino dos Reis”, do Absolutismo, onde as decisões “superiores” eram incontestes, por puro dogma.





A ordem natural das coisas precisam ser respeitadas. De feto ou recém-nascido jamais se chegará a adulto sem que antes sejam cumpridos os estágios da infância e adolescência, fases do aprendizado e da formação moral. Da mesma forma, assim, naturalmente, agora profissionais, devemos cumprir estas fases, até chegarmos à condição de nos conduzirmos por si só ou de ordenar, orientar, e, se for verdadeiramente capaz, liderar outros.





Esse respeito à ordem natural das coisas deve ser aplicável a todas as categorias dentro de nossa instituição, porque a prepotência e a arrogância não podem prevalecer jamais, mesmo na mais diminuta e singela das equipes.





“Se um soberano iluminado e seu comandante obtêm a vitória sempre que entram em ação e alcançam feitos extraordinários, é porque eles detêm o conhecimento prévio e podem antever o desenrolar de uma guerra. Este conhecimento prévio, no entanto, não pode ser obtido por meio de fantasmas e de espíritos, nem pode ser obtido com base em experiências análogas, muito menos ser deduzido com base em cálculos das posições do sol e da lua. Deve ser obtido das pessoas que, claramente, conhecem as situações do inimigo.” SunTzu





Aos caçadores de elogios, peço que reflitam. É merecedor de elogio aquele que simplesmente cumpriu com êxito uma missão, um dever de ofícioƒ¯ Entendo que não fez mais que sua obrigação. Agora, e o herói, homem ou mulher que se distingue por coragem extraordinária na guerra ou diante de outro qualquer perigo. É necessário que seja sepultado para que seja reconhecidoƒ¯ Anônimos em vida, vários são eles. Mas a nossa cultura é a do Herói Morto. Porque descartamos os atos heróicos quando o autor sobreviveƒ¯ Muitos de nossos Heróis continuam por ai, vivos ainda, mas até quandoƒ¯ VIVA!!! E QUE VIVAM, doravante, NOSSOS HERÓIS.





Um dia, há cerca de um ano, em um comentário informal o colega MAURO LOBO disse: “Qualquer dia alguém vai morrer lá no Amazonas”. Para ter dito isso, é porque muitos atos heróicos praticados por colegas devem ter sido observados por lá. Portanto, vários são nossos heróis lá, e, certamente, em outros rincões. Quis o destino que mais dois desses heróicos colegas nos deixassem este mês, e, por ironia, um fosse o próprio LOBO.





Lamento que a maior parte da “família” DPF não tem refletido sobre o que nossas vidas significam, não mais do que uma placa na “Galeria de Heróis”. Claro, quando morto em combate, porque, se morrermos após aposentados, por complicações e males decorrentes do amor com que se vestiu a camisa quando na ativa, lamento colegas, nossas vidas somente tiveram valor mesmo aos nossos amigos e familiares.







Estamos nos revelando uma instituição valente, disso não há dúvida, a própria sociedade reconhece, porém, inadvertidamente, e, em alguns casos, deliberadamente, movidos pela doentia vaidade, agimos como se tivéssemos um profundo descaso pela vida, o que, segundo Sun Tzu, nos levaria à condição de sermos mortos facilmente. Penso aqui, que a palavra “mortos”, também pode vir no sentido figurado, representando o colapso institucional por “autofagia”.





Foram os princípios forjados na minha infância e adolescência, seja pela conduta irrepreensível de meu pai na minha educação, seja na disciplina militar agregada a tudo isso, quando aluno da primeira turma do Colégio Militar de Brasília, que me ensinaram a amar, incondicionalmente, meu país, e também que é importante buscar a humildade, pois é ela que abre as portas de nossas mentes.





Foi tentando assimilar essa lição, o ideal da humildade, não da subserviência e da ignorância, que me permiti aprender muito durante minha vida profissional. Acreditem, alguns ilustres colegas até me pedem conselhos. O que poderia me dignificar mais do que isso? É verdadeiramente mágico, todas as frustrações sucumbem imediatamente por um instante e a esperança se renova. E vou revelar aqui a maior das verdades. Cada vez que um desses colegas me procuram, renovo as lembranças das minhas experiências profissionais, da necessidade de aplicar na prática a doutrina, e assim, não me deixo levar pela má rotina e acabo aprendendo ainda mais com eles.





Mas um desconforto, “um punhal de ironia” fruto dessa magia, também renasce em seguida, quando reflito, e não consigo vislumbrar o que o futuro reserva para esses colegas como membros da instituição na qual, para alguns, aprender não é a meta, porque “nasceram sabendo”, e, em função disso, se acham no direito de subestimar e subjugar as demais.





Que as palavras de nossa futura presidente, instituição que por dever devemos respeitar, de uma vez por todas prevaleçam em nosso país:





“Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público.” (Dilma Rousseff)





Que a vitória sobre a miserável vaidade, esse mal que vem bloqueando o afloramento do bem e dos bons, seja iminente em todos os níveis em nosso querido Brasil, e que isso nos permita, por conseguinte, crescermos como instituição e como Nação, unidos, adamantinos.





Obrigado.



Dalmey Fernando Werlang é agente da Polícia Federal lotado na SR/DPF/PR







Fonte: Agência Fenapef