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REVOLUÇÃO DENTRO DA EVOLUÇÃO

28/06/2013
Autor: Vilson Capeleti Boff

Durante os incidentes que antecederam ou que depois culminaram com o advento da Revolução Cubana, o francês Regis Debray já se dedicava a estudar os meandros das convulsões sociais que pululavam por muitos países latinos, vale dizer nações pobres. Fixando-se em Cuba, teve o privilégio de compartilhar com afinidade a epopéia de Fidel Castro, a idéia fixa deste à luta armada, como via final para alcançar o poder.

Debray, em seu livro “REVOLUTION DANS LA REVOLUTION”(Revolução Dentro da Revolução), reuniu uma série de pontuações e ensinamentos, fazendo da mesma um livro de cabeceira para o movimento revolucionário ou para as manifestações populares esquerdistas, principalmente na América Latina.

O engajamento de Debray com o fenômeno revolucionário foi de tão alto apego, que acabou tornando-se ele mesmo companheiro de Che Guevara na guerrilha, tendo sido preso na Bolívia. Retirou-se da luta armada, e após voltar à França, deu continuidade aos seus afazeres como filósofo.

A citação de “Revolução Dentro da Revolução”, ajuda fazer uma rápida comparação entre o quadro político-social das décadas de 1950/1960/1970 nos diversos países da América do Sul, Central e Caribe, (em que constatamos o império da falta de liberdades populares, o vício do arbítrio, a inexistência de uma classe média robusta, vigorando sobremaneiramente o mando do empregador sobre o empregado, impondo aquele, seu modelo unilateral opressor), e a situação bem mais confortável dessas nações nos dias de hoje, onde a observação de uma carta de direitos humanos, pelos senhores governantes, foram se atualizando e se consolidando as democracias, moldando-se também assim, formas mais amenas de reivindicações, que não as pela via das armas.

Os jovens que hoje protestam nas ruas do Brasil, possuem a mesma idade, vigor e devoção daqueles que em décadas atrás empunharam fuzis para reivindicar seus direitos. Hoje, pelas ruas do Brasil, em vez de armas, portam seus cartazes, suas cores e emblemas, possuem identidade e não precisam esconder-se com um lenço de disfarce como em décadas de opressão e cerceamento. Em seu grito de guerra, fazem alusão à paz, à não violência, mas trazem cada qual, com sua postura impertinente, um grande ideal, que soa ser o mesmo ideal revolucionário de doar-se a si próprio em prol ou em proveito de uma grande maioria. O seu existir revolucionário, em todas as suas facetas completas, apenas adormece. São jovens com emprego fixo, estudantes em via de graduar-se, cidadãos da classe média, profissionais liberais, que uniram seus gritos numa frente nacional de protesto, clamando por mudanças, diferindo das classes populares oprimidas e sem direito a voz, dos países latinos de décadas recentes. Naqueles anos tensos a revolta armada era patente, o último recurso para se requerer o carimbo da dignidade de um ser humano.

O Brasil é hoje uma nação em fase evolutiva. Uma democracia consolidada, uma sociedade de características em transformação e empreendimentos diversificados e ambiciosos. Essas camadas, as mais exigidas e solicitadas das classes populares, as mais conscientes e esclarecidas, as que se contatam diuturnamente com as injustiças patrocinadas por um governo centralizador e fisiologista, marchando pelas ruas para reivindicar igualdade de tratamento em quesitos básicos como transportes, saúde e educação, direcionadas a um poder público constituído, mas desgastado, desacreditado, corrompido, onde o compadrismo vigora, as instituições se esfacelam... isto é revolução! Revolução dentro de uma frágil e ensaiada evolução. É temeroso imaginarmos armas nas mãos desses jovens destemperados, em lugar de cartazes, faixas e bandeiras de seu próprio país, armas, como faziam os jovens oprimidos, ignorados e encurralados, de nossa América recente. Ponto para os governantes menos avisados ou interpelados de surpresa. Nossos jovens são revolucionários modernos! Evoluídos.

Os alicerces da economia atual dá ainda uma sobrevida tenra e sem prazo de validade a essa democracia, aos seus mandatários e mesmo aos demais poderes constituídos.