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Mural

ATACAMA POSSÍVEL

19/04/2012
Autor: Vilson CAPELETI Boff

Passear em moto significa dar uma esticada descompromissada, relaxada, sem maiores detalhes. Mas uma viagem longa, requer um projeto, uma elaboração mais sofisticada, um engajamento mais comprometido e responsável daquele que pretende participar. Decidimos, Paulo, Marcelo P., Marcelo C. e esse que vos relata, Capeleti, a empreender uma viagem em motocicleta até a região onde se localiza o Deserto de Atacama, entre Argentina e Chile. Assim procedemos entre o dia 02 e 14 de Abril de 2012. O itinerário escolhido teve início em Curitiba, passando pelas seguintes cidades principais: Foz do Iguaçu(Br.)-Puerto Iguaçu-Posadas-Corrientes-Resistencia-Saenz Penha-Salta-San Salvador de Jujuy-Susques-Paso de Jama(Arg-aduana) e San Pedro de Atacama(Chi-aduana), esta última, o destino final, no outro lado da cordilheira binacional. Embora uma viagem de risco iminenete, (o perigo rondando frequentemente a \"expedição\"), tudo transcorreu satisfatoriamente conforme o esperado. Foram percorridos 5. 700 km de estradas razoavelmente bem condicionadas, com alguma ressalva na região de Corrientes, onde também está localizado o Parque Nacional Copo. Nessa região, além do asfalto defeituoso, os animais correspondem a um grande perigo a cada metro da estrada, uma vez venham a colidir com motociclistas. E são inúmeras as espécies: bandos de pombas, gaviões, urubus... Varas de porcos, cavalos, vacas, cabras, alpacas, etc. As estradas da cordilheira são muito boas.


Salta, talvez uma mini-Buenos Aires, que me desculpe, mas meus olhares começaram mesmo a ser iluminados ao iniciar a subida da Cordilheira, pela estrada mais pitoresca e ondulada já vista, por isso mesmo apelidada pelos argentinos de Los Caracoles. Aquela região tem tudo a ver com motocicletas. Ali os humanos aplicaram todo o seu conhecimento, obsessão, e teimosia, adquiridos na universidade, para destruir e construir. E assim fizeram um caminho inimaginável para levarnos a contemplar um paraíso único. Não sei se admiramos o caminho ou a natureza que o permitiu e o acolheu subservientemente. Mas a união dos dois nos deixa fascinados.Talvez faltam adjetivos nos mais robustos dicionarios para reverenciar aquele cenário. Creio que uma viagem ao Atacama, vale mesmo pelo percurso até alcançá-lo. Um transeunte sobe maravilhando-se por essa região até a altura de 5.200 m, com ar rarefeito e tudo, antes de atingir San Pedro de Atacama. O perigo ronda o viajante que, num descuido, numa vacilada, poderá despencar sem volta, para a estrada e para a vida. Para uma viagem assim, de atenção tensão extremas, há que se considerar o respeito triplo: respeito à máquina, à natureza e ao próprio ser humano, o aventurreiro. E tudo acabará bem. Diante da indagação, como definir uma viagem ao Atacama, nessas condições, eu diria: \"sofrimento, sofrimento, sofrimento.Perigo, perigo, perigo.Prazer, prazer, prazer\". É bem provável que o conforto de um avião, de um climatizado ônibus, não nos levaria a um contacto tão próximo e real daquele santuário tão inóspito, mas possível e cativante. Pode-se estacionar a qualquer momento ou estágio da cordilheira e apreciar, meditar, caminhar, tocar ou clicar as melhores fotos. Verdadeiros heróis, em bicicletas, de diversos países, também são encontrados pedalando pelas mesmas estradas, talvez há dias ou meses longe de sua gente.


A incrível conformação geográfica da região, dá-nos a sensação de uma monotonia diabólica, mas a cada passo nossas lentes captam cenários espetaculares e misteriosamente novos. Se regressarmos pelo mesmo trajeto, veremos que tudo permanece estacionário, mas de um semblante diferente, como se não havíamos visto jamais. A estrada de acesso, tem seu itinerário constantemente ladeado por vulcões cobertos de neve ou por montanhas de um colorido por vezes monótono mas de conformação física variável. A neve, o gelo, o frio, são companheiros inseparáveis, ou como queiram, antídoto e perigo à nossa chegada.


San Pedro de Atacama é o ponto de convergencia para os turistas ou visitantes. É uma remanescente comunidade dos indios Atacamenhos que viviam originalmente naquela região. Os muros da cidade, suas casas, têm na lei, a imposição de serem construídos de \"adobe\", uma mistura de barro e palha, assim como faziam os primeiros habitantes. Desde San Pedro partem os passeios turisticos para os locais mais ambicionados da região desértica, os vulcões,os vales, salares, geisers, etc. A culinária é ótima, padrão internacional, mesmo servida em restaurantes que não parecem restaurantes... Em casas de barro.


CONFIRA AS FOTOS EM:
http://www.sinpefpr.org.br/noticias_detail.php?cod=492