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Somos de nível superior. E agora José?

13/12/2011
Autor: Egídio Araújo Neto

No poema \"E agora, José?\" Drummond utiliza “José” e “você” numa autocrítica e, também, em nome do coletivo social, como se estivesse refletindo a pergunta dos outros: - E agora, José? O poeta de Itabira alterna José e você, para mostrar que não importa o nome, mas sim o problema, tão extraordinariamente, resumido na expressão “E agora?”. É esta a questão que, no poema, Drummond nos incita ao raciocínio. É a pergunta que deve ser respondida.



E o que isto tem em comum com este momento em que Agentes, Escrivães e Papiloscopistas vivenciam, após a publicação pelo MPOG, do reconhecimento do nível superior? Quase tudo, senhores. Quase tudo, senhoras.


Todos sabem que não é de hoje esta luta pelo reconhecimento do nível superior. Quantas tentativas frustradas até esta publicação! Quantas reuniões e chás de cadeira os dirigentes sindicais tiveram que suportar, para que chegasse este momento. Mas.... e agora, Josés da Polícia Federal?


E agora você, que sempre cobrou o nível superior, vai se comportar como um servidor público de nível superior? É o que se espera, mas para tanto, é preciso mudança de atitudes. Isto quer dizer para você, José, que não existe mais espaço para se prestar serviço de motorista, de segurança de delegado e de outras atividades características de flagrantes desvios de função, para se beneficiar de míseros privilégios. Você, José, que sempre pensou que só podia utar e cumprir ordens - ser “orelha” - pode sim dirigir e coordenar, até com mais competência, pois tem o privilégio de somar a experiência com o conhecimento técnico. Hoje, o que tem de sobra nos quadros do DPF, são Josés Agentes, Escrivães e Papiloscopistas com qualidades superiores às do Chefe a que são obrigados a se subordinar.


E agora você, que se rende às ofertas manipuladoras, que vende a sua dignidade pelo preço de uma viagem e com minguadas diárias, vai deixar de ser diarista? É e deve ser este o desejo daqueles que participam ativamente para melhorar o DPF. O seu problema financeiro, José, não será resolvido com diárias, elas jamais serão incorporadas ao seu salário. Com esse comportamento isolado, mesquinho e egoísta, você “José diarista” só prejudica as mudanças que uma minoria tenta implementar no DPF. É preciso pensar a médio e a longo prazo, para que se tenha um salário digno. É preciso lutar, José, para que não se chegue aos 15 anos de Polícia Federal na classe especial, sem nenhuma perspectiva na carreira, sem algo que possa motivá-lo a prestar um serviço público de qualidade.


E agora você, que sempre cobrou das lideranças sindicais, mas que nunca compareceu a nenhuma assembléia, que prefere o descaso e a omissão, a dar a sua parcela de contribuição para fortalecer a categoria? Você, José, vai tornar-se um servidor de nível superior, participativo e consciente? É o que se espera, pois quanto maior for a participação de cada um, melhores serão os resultados das nossas reivindicações. E esse comportamento não se resume a movimentos radicais, como greve e operação padrão, por exemplo, mas principalmente a pequenas atitudes isoladas do seu dia-a-dia.


E agora José, você que carrega nas costas a delegacia, a coordenação e outros setores do DPF, para o delegado receber o DAS, vai mudar de atitude? É lugar comum encontrar Agentes, Escrivães e Papiloscopistas liderando - de fato! -, setores do DPF e aqui não carece citar alguns, para não melindrar pessoas. Basta lembrar do principal requisito para ser chefe na Polícia Federal, que é ser Delegado. Competência, liderança, experiência, conhecimento técnico da área, nada disso importa. Afinal, o serviço de qualidade para a sociedade foi esquecido há muito tempo. Vale ressaltar aos chefes de fato, que a simples atitude de recusar a assumir esse papel, não implica em insubordinação. Bem ao contrário, é plena subordinação à lei.


E agora você, que chega no Departamento de costas, como se já estivesse de saída. Você concurseiro de carteirinha, que não “está nem aí” para a Polícia Federal, vai deixar de ser omisso? Para aqueles que se enquadram nessa categoria, cabe uma meia culpa. Sim, pois o principal culpado por Agentes, Escrivães e Papiloscopistas ingressarem no DPF já pensando em passar em outro concurso, é a absurda e raquítica política de recursos humanos que os dirigentes da instituição insistem em levar adiante em relação ao pessoal dos quadros da Polícia Federal. Política esta que, é indisfarçável, privilegia somente a categoria dos Delegados. A sua meia culpa “José concurseiro”, é que nada justifica a sua omissão e o seu descaso diante dos problemas enfrentados pelas categorias dos Agentes, Escrivães e Papiloscopistas. Vale alertar que as estatísticas mostram que, para a sua (e nossa!) infelicidade, a maioria dos concurseiros termina por ficar na Polícia Federal e você pode ser um deles.


E agora, “Josés”? O reconhecimento do nível superior já é oficial. Mas ainda falta o principal reconhecimento, que é aquele dentro da consciência de cada Agente, Escrivão e Papiloscopista. Sem isso, aquela publicação não terá nenhum valor e virará letra morta. De nada adianta o título sem que o seu titular saiba usá-lo. É até compreensível, que alguns colegas cheguem a pensar que os delegados são generais e as outras categorias, seus soldados. Desde a Academia se sofre uma constante lavagem cerebral, que vai dos incansáveis mantras de “doutor, doutor, doutor...”, aos termos o “meu Agente”, o “meu Escrivão”, o “meu Papiloscopista”, como se a Polícia Federal não fosse do Estado e os integrantes das categorias não fossem servidores concursados.


Mas e agora, você? Onde está o seu senso crítico? Onde fica a sua dignidade? Como está sua tolerância com os desmandos dos falsos generais? Até quando você vai tolerar que o DPF seja uma instituição de uma só categoria? Até quando vai aceitar o conceito de hierarquia imposto pela Administração do DPF? Ao contrário do poema de Drummond, a festa aqui ainda não acabou, a luz não apagou, a noite não esfriou e as portas estão se abrindo, a duras penas, mas estão. E para que tudo isso continue a acontecer, mais do que nunca será imprescindível a participação de todos.


É urgente a necessidade de uma reflexão e, consequentemente, de mudanças de atitudes. Pois só assim, se fará valer o tão sonhado reconhecimento do nível superior.


Vamos à luta “Josés” da Polícia Federal! Unidos, seremos mais fortes!


Egídio Araújo Neto é escrivão de Polícia Federal e Secretário-Geral do Sindipol/DF.


Fonte: SINDIPOL/DF