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Mural

OS ALQUIMISTAS ESTÃO CHEGANDO

25/12/2010
Autor: Vilson Capeleti Boff

Eles estão por toda parte da cidade. Incorporados na forma de panos coloridos. Na forma de flâmulas. Por vezes retratam a comemoração pela vitória de um campeonato futibolístico. Parece o desdile de uma fanfarraa escolar, de uma escola de samba... carnaval. Ressucitam na forma de decalcos e santinhos. Na forma de apertos de mãos e abraços repentinos. Mas por pouco tempo. Tempo de não recordar, ou lembrarpouco. Nos aproximamos dos semáforos e nos deparamos com seus âncoras, postados tal qual mortais robôs, a tremular enormes bandeiras coloridas, de sol a sol, de chuva a chuva, por uma diária humilhante, que talvez não passe dos dez. Pouco importa a cartilha do partido político, a ideologia, suas cores ou distintivos. Verdadeiro mar de bandeiras é arremessado aos parabrisas de nossos veículos, por um mísero trocadinho, temporário que seja, com data certa para secar.



Por tras desse séquito de porta-bandeiras, estão os mesmos personagens de sempre, os principais, os \"químicos\", aqueles, que através de seus discursos decorados e envelhecidos, insistem empurrar goela abaixo dos eleitores, soluções inimagináveis a olho nú, para todos os males, para todos os problemas da nossa sociedade. Das pedras insólitass e sem valor, sacam ouro num passe de oratória. Com seus tubos de ensaio e suas varinhas mágicas vão enebriando platéias e platéias em contos da carochinha. A violência está em alta? \"Ah, sim, já estávamos acompanhando isso e já temos um projeto que acabará com o problema...\" O trânsito está engarrafado? \"Sim, sim, temos um projeto viável para a solução do problema a curto praso...\" O ensino, a educação é ineficiente? \"Pois já vinhamos debatendo o problema...\" Vão construir estradas, tapar os buracos de outras, desviar rios, dar ao povaréu vale transporte, cesta básica, vale creche, vale refeição, vale prisão, vale motel, vale, vale, vale... Vão tirar todas as subidas e fazê-las todas descidas... Mas ao final e ao cabo de tantos milagres, acabam por tomarem crianças dos outros no colo, sorrir para as câmeras no momento de dar a vacina infantil, e só.



Eles andam concentrados por um longo período, hibernando, matutando seus discursos, e suas presepadas ácidas, e quando aparecem, se nos apresentam todos de uma só vez, sorrisos postiços, a darnos a impressão de que estaremos realmente bem acompanhados, muito bem liderados. São tantos sorrisos de uma só vez, e em tão pouco tempo, que a humanidade em volta parece tornar-se repentinamente tão afável, tão simpática, tão gentil!... Um poder, uma transformação que os químicos processariam ao certo sem maiores entraves.



Os santinhos e as bandeiras são para os transeuntes um incômodo menor. Pois na ansiedade de poder triunfar no sufragio eleitoral, os canditatos, ao sairem de seu esconderijo polar, despejam repentinamente sobre os indivíduos menos avisados, uma variada gama de artimanhas com o intuito de hipnatizá-los e trazê-los para a sua cédula, mesmo irritando-os com uma dose diária do veneno saído de alto-falntes, arremessados por jingles musicais poluentes e de baixa qualidade.



Nesse processo eleitoral, de escolha, que no Brasil se supõe democrático, porém não é na essência, é presumível que eleitores participem apenas por obrigação legal. Comparecer às urnas por uma assinatura, por um carimbo. Somos forçados a praticar o sufrágio, sem ao menos termos o direito de decidir, escolher se queremos ou não fazê-lo. Ferimos então assim o princípio básico da propria democracia, já ainda na sua célula icicial, o DIREITO QUE TEM O CIDADÂO DE ESCOLHER SE QUER OU NÃO PARTICIPAR. Se quer ou não eleger alguém. Em não querendo, obviamente não contestará qualquer resultado. Concordará.



A cidade não vai parar, os transeuntes não terão jamais suas vidas assediadas pelos sorrisos e aperto de mãos voláteis, inssossos, por muito tempo. Essa alquimia não é eterna. A obrigatoriedade do voto empurra o cidadão para a aversão pela mobilização, desinteresse por algum candidato, desinteresse pelo processo eleitoral, um chamamento sem sentido enfim.